
:: Ad News
:: 26/09/2008 - 17:03
SÃO PAULO - As cidades de Chapadinha, no Maranhão e Ubá, em Minas Gerais permaneceram sem acesso à Intenet por mais de 50 horas consecutivas. Nos dois estados, mais de 180 mil pessoas não puderam se conectar a rede desde a manhã da última terça-feira, dia 23.
O acesso só foi restabelecido nesta quinta-feira, dia 25, por volta das 18 horas, graças a uma liminar deferida pela juíza da 46ª Vara Cível da Comarca da capital do Rio de Janeiro.
Nas duas cidades, residências, estabelecimentos comerciais, órgãos públicos, escolas e hospitais enfrentaram o verdadeiro caos com a paralisação dos serviços de acesso. Em Chapadinha, no leste maranhense, entre os prejuízos sofridos pela população, os dois únicos hospitais da cidade tiveram suas atividades prejudicadas pela suspensão do acesso e os contadores locais já contabilizam grandes perdas nos negócios.
Um grupo chegou a levar o caso à polícia local, acusando o provedor da cidade, que ainda não tem conhecimento da proporção de seus prejuízos. Além de ter suas atividades paralisadas, a empresa provedora que há cinco anos presta serviços na cidade, atendendo mais de 90% da população local, ainda sofreu com a ocorrência enfrentada na delegacia e a ação depredadora de clientes que o responsabilizaram pela suspensão do serviço.
Em Ubá, na zona da mata mineira, o terceiro pólo moveleiro do país registrou perdas ainda incalculáveis em suas atividades. O sistema que controla as exportações de diversas fábricas não pôde ser acessado durante todo o período em que a conexão à rede foi obstruída.
Uma empresa agropecuária que pelo mesmo motivo não pôde emitir notas fiscais, teve suas vendas inviabilizadas, já que por exigência da Anvisa, produtos desse segmento não podem ser comercializados sem os devidos documentos fiscais.
De acordo com a empresa provedora que há doze anos presta serviços na região, até o momento não é possível estimar os danos sofridos pela população e pela própria empresa que já registra os primeiros cancelamentos de serviços depois do episódio.
O provedor informa que, entre outros, órgãos públicos, departamentos da prefeitura, a câmara municipal e alguns sistemas de vigilância também foram prejudicados com a paralisação.
A Global Info, gestora da entidade representativa dos provedores de Internet e administradora de seus contratos de link com a operadora, conquistou a liminar que restabeleceu os links nesta quinta-feira.
Na mesma ocasião, foi solicitada a aplicação de multa caso houvesse novo descumprimento da decisão pela Embratel. A juíza da 46ª Vara Cível da Comarca da capital do Rio de Janeiro fixou a multa em R$ 10 mil para aplicação nessa circunstância.
http://www.adnews.com.br/internet.php?id=77169
CIDADES FICAM "REFÉNS" DE BRIGA ENTRE EMBRATEL E GLOBAL INFO
Por Ana Paula Lobo
:: Convergência Digital
:: 26/09/2008
SÃO PAULO - Uma disputa entre a Embratel e a Global Info, entidade que atende a mais de 700 provedores de acesso à Internet no país, coloca à mesa a gravidade da questão do debate em torno da separação estrutural das redes, proposta na revisão do Marco Regulatório.
Distantes geograficamente, as cidades de Ubá, em Minas Gerais, e Chapadinha, no Maranhão, viveram nas últimas 50 horas o "inferno do apagão da Internet" sem terem qualquer responsabilidade: A Embratel - única concessionária capaz de atender em toda a área das localidades - cortou os links contratados pela Global Info, sob a justificativa de inadimplência.
A Global Info, que admite possuir uma disputa com a operadora, mas segundo ela não é referente à essas localidades, recorreu à justiça e provou que os pagamentos estavam em dia. Com poucas opções, a disputa da Global Info e da Embratel penalizou integralmente ao consumidor desses municípios.
A briga entre a Embratel e a Global Info veio à público através de um manifesto oficial da entidade que reúne os ISPs. Inicialmente, a Global Info denunciou a arbitrariedade da concessionária em cortar os dois links das cidades, inclusive, expôs situações como a "agressão formal de funcionários da Embratel aos provedores locais", clientes da Global Info. Só que a história vai um pouco mais além.
A Embratel, numa primeira análise, usou, sim, o seu Poder Dominante de Mercado e simplesmente desativou os links das cidades e de provedores que não estavam devedores. A concessionária foi procurada pelo Convergência Digital e preferiu não se pronunciar oficialmente sobre a questão. A operadora, ao que parece, usou a a única forma que tinha para "cobrar" uma pendência relativa a outros contratos: Cortar os links das cidades.
Isso porque a Global Info possui, atualmente, apenas dois contratos com a concessionária, segundo o Dr. Leonardo Meliande, advogado da provedora. Eles são exatamente os das cidades de Ubá, em Minas Gerais, e Chapadinha, no Maranhão. "Não há outra alternativa nessas localidades. Não há quem preste serviço. Em Ubá, ainda há um pouco de ação da Oi, mas não atende a todos. Então não tínhamos como migrar para outras concessionárias como o fizemos em vários municípios", esclareceu o advogado.
Segundo Meliande, nessas cidades, a Global Info está rigorosamente em dia com os seus contratos. Tanto é assim que anexou as contas pagas à Embratel no ação impetrada na 46ª Vara Cível do Rio de Janeiro, onde obteve uma liminar que obrigou a operadora a religar os links para essas localidades. A juíza impôs ainda uma multa de R$ 10 mil/dia, caso o religamento não ocorresse de forma imediata. "A Embratel levou mais de 24 horas para cumprir a decisão judicial", explicou o advogado da Global Info.
Consumidor desamparado
O problema é que se a Embratel usou do seu Poder Dominante de Mercado para atingir a Global Info sem se preocupar com os moradores dessas duas cidades do Brasil - que não são as maiores, mas não menos importantes já que pagam impostos como todas as outras - a Global Info por sua vez, possui, sim, uma pendência com a Embratel, relativa não à falta de pagamento, mas sim, referente à cobrança de multa rescisória de contratos de migração. O "x" da questão é que o embate não tem qualquer ligação com as cidades de Ubá e Chapadinha, mas elas foram integralmente prejudicadas nesta briga entre a Embratel, detentora da infra-estrutura, e a Global Info, que usa da sua capilaridade nacional para negociar a compra de links e, assim, revendê-los para pequenos ISPs.
Os nomes das localidades onde há o problema de contestação de pagamento não foram reveladas, mas essa pendência - ainda em cárater administrativo, insiste o advogado da Global Info, ocorre por cobrança indevida de multa por rescisão contratual e migração para outros provedores. "A Embratel possui um histórico de cobranças erradas e também houve a oferta de preços melhores com a competição", diz Meliande. Segundo ainda o advogado, a Anatel, consultada, disse que não há qualquer possibilidade de cobrança de multa nestes casos.
"O que fizemos foi respeitar o parecer da Anatel e estamos aguardando uma posição da Embratel com relação à essas contas, em aberto. Mas não houve inadimplência. Nunca deixamos de pagar os links à Embratel. O que não pagamos para a operadora foi um valor de multa de rescisão que a Anatel já disse que não é legal e que, portanto, consideramos, incorreta e indevida. Não pagamos porque estamos questionando esta cobrança. Ela está em aberto, infelizmente ainda no cárater administrativo, mas agora, em função dos problemas, teremos que ajuizar uma ação na Justiça", completa o advogado Bruno Rodrigues, também do grupo jurídico da Global Info.
Certo é que nessa disputa entre a Embratel e Global Info, duas cidades brasileiras ficaram quase três dias sem acesso à internet. Os ISPs locais enfrentaram a revolta dos moradores dessas localidades. Os serviços públicos e privados não funcionaram. O dano foi grande para a população local que não conhecia os detalhes do processo entre as partes. Para os moradores de Ubá e de Chapadinha, os ISPs locais eram devedores, quando não eram.
Isso expõe a seguinte situação: A precariedade da infra-estrutura de telecomunicações no Brasil. Ainda há,sim, monopólio em vários municípios brasileiros. Os casos de Ubá e de Chapadinha comprovam isso integralmente. A Embratel decidiu, cortou e só reviu sua posição por ordem judicial. O prejuízo dos consumidores, em nenhum momento, ao que parece - já que a concessionária se recusou a se pronunciar - foi levado em conta.
Ao mesmo tempo também revela a fragilidade dos pequenos provedores de acesso à Internet que dependem de terceiros para usar links das grandes concessionárias. Esses ISPs não têm condições de negociar diretamente com uma grande operadora. Usam a força de uma entidade como a Global Info para ter acesso à conexão e, dessa forma, revender o serviço para os moradores da cidade. Esses ISPs também não possuem alternativa. Sem a "intermediação" ficam fora do negócio.
http://www.convergenciadigital.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=16063&sid=4